Em nosso cotidiano, os sons, amiúde, se fazem presentes, de múltiplas formas - e de variada intensidade -, para nos tornar cientes do mundo ao redor e nos permitir interagir com ele. São fonemas articulados em palavras ditas ao acaso, ou de caso pensado. São as notas musicais que se entrelaçam em melodias diversas, nas canções dos pop stars e bandas, nas composições instrumentais dos instrumentos e orquestras, no canto dos pássaros multicoloridos, no cantarolar descontraído de quem seus males espanta. São os roncos desarmônicos das miríades de máquinas e maquinários que nos cercam na rotina diária da sobrevivência. São os sons que estimulam os nossos sentidos, trazendo conhecimento e reconhecimento, ou então apimentam as nossas sensações e o nosso imaginário. São o ruído das risadas estrondosas, gostosas, ou o murmúrio dos lamentos nascidos dos desalentos, dos prantos derramados em nome da ausência, do abandono, da tristeza. São o barulho dos passos de quem vem e de quem vai, ou se vai. São os ecos que evocam as nossas lembranças e transformam o ontem em "aqui e agora". Algumas vezes para nos fazer sorrir, outras, nem tanto.
Há quem diga que o silêncio é de ouro, metal nobre, mas frio. Acredito que os sons têm a magia de dar significado às coisas, de traduzir emoções, de relacionar pessoas, de manifestar intenções, de musicalizar a comunicação, de romper as barreiras, de ultrapassar as fronteiras, de municiar o desejo. De embelezar e enriquecer, ou denegrir e empobrecer o nosso introspectivo "eu". Como as notas numa partitura musical, todo som escreve algo no texto de nossa existência fugaz.
Este vídeo mostra bem a mistura de todos os sons: principalmente os urbanos. Vimos não só entropias visuais - com a mescla de imagens psicodélicas e urbanas, o caos -, mas também sonoras. O conjunto dos dois nos fornece o caos absoluto. Escute o minuto do vídeo e diga: o som dele não é perturbador?
Tatianni Fernandes

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