Blog apresentado à disciplina Jornalismo em Rádio. Curso de Comunicação Social - Jornalismo/ 2ª fase - Unisul. Orientador Luciano Bitencourt.

sábado, 26 de novembro de 2011

O mundo de Laurea Wellinton

       Seguindo a proposta do blog, vamos mostrar como Laurea Wellinton, de sessenta e seis anos, adaptou-se às diversas dificuldades logo que descobriu que iria ficar surda. Em seus jovens vinte e sete anos, deixou de ouvir sons pela falta de atendimento médico da época. Nascida na Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis, estudou até a terceira série do ensino fundamental. Casou-se com dezessete anos, teve oito filhos e foi agraciada com dezesseis netos. Atualmente viúva, mora no Ribeirão da Ilha, utilizando o aparelho de surdez (que só conseguiu após ingressar com uma ação judicial requerendo contra o estado). A equipe Labirinto foi atrás dessa senhora para ver e ouvir de perto como foi a vida de alguém que por um determinado período não teve o som como ponto de equilíbrio. Confere só!




A equipe Labirinto


Entropias fugazes

              
               Em nosso cotidiano, os sons, amiúde, se fazem presentes, de múltiplas formas - e de variada intensidade -, para nos tornar cientes do mundo ao redor e nos permitir interagir com ele. São fonemas articulados em palavras ditas ao acaso, ou de caso pensado. São as notas musicais que se entrelaçam em melodias diversas, nas canções dos pop stars e bandas, nas composições instrumentais dos instrumentos e orquestras, no canto dos pássaros multicoloridos, no cantarolar descontraído de quem seus males espanta. São os roncos desarmônicos das miríades de máquinas e maquinários que nos cercam na rotina diária da sobrevivência. São os sons que estimulam os nossos sentidos, trazendo conhecimento e reconhecimento, ou então apimentam as nossas sensações e o nosso imaginário. São o ruído das risadas estrondosas, gostosas, ou o murmúrio dos lamentos nascidos dos desalentos, dos prantos derramados em nome da ausência, do abandono, da tristeza. São o barulho dos passos de quem vem e de quem vai, ou se vai. São os ecos que evocam as nossas lembranças e transformam o ontem em "aqui e agora". Algumas vezes para nos fazer sorrir, outras, nem tanto.
                 Há quem diga que o silêncio é de ouro, metal nobre, mas frio. Acredito que os sons têm a magia de dar significado às coisas, de traduzir emoções, de relacionar pessoas, de manifestar intenções, de musicalizar a comunicação, de romper as barreiras, de ultrapassar as fronteiras, de municiar o desejo. De embelezar e enriquecer, ou denegrir e empobrecer o nosso introspectivo "eu". Como as notas numa partitura musical, todo som escreve algo no texto de nossa existência fugaz.

                 Este vídeo mostra bem a mistura de todos os sons: principalmente os urbanos. Vimos não só entropias visuais - com a mescla de imagens psicodélicas e urbanas, o caos -, mas também sonoras. O conjunto dos dois nos fornece o caos absoluto. Escute o minuto do vídeo e diga: o som dele não é perturbador?


Tatianni Fernandes

Acre Lírico

             Produzindo o último disco antes de seu exílio em Londres, Caetano Veloso mostra ao que veio com a música Acrílico. Como sempre acreditou na força do jogo verbal com parâmetros em efeitos fônicos-semânticos, não foi difícil encontrar o jeito perfeito da música (com apoio de Haroldo Campos e Jayme Joyce). Chamado de poema falado, o estilo tranquilizou após a chegada da Europa de Gilberto Gil e seu companheiro de música e exílio, "Caê" Veloso (produziu o LP Transa, em 1972). O compositor do famoso samba “Sampa” criou um álbum mais revolucionário, chamado Araçá Azul, já em 1973. O auge de sua experimentação na carreira foi tanto pela mistura frenética de ritmos e coros afro-brasileiros com guitarras elétricas quanto pelo lado sonoro ­ de justaposição de notas musicais e ruídos urbanos, produção de sons sem sentido e linguagem não-discursiva  bem amontoada.
               A curiosidade da música é percebida no minuto 1:39, onde há não só a impressão, mas o real "som" de um "pum". Junto às misturas sonoras e às invenções linguísticas como "adolescidade". Na verdade, o barulho do "pum" significa o descaso com que os "compositores" do álbum tinham perante a ditadura e a repressão. Não deixa de ser curioso, deem só uma olhada!



Rafaela Bernardino


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

História do som e o som da história: um olhar invertido


                 É praticamente impossível imaginarmos um mundo sem som. Pensar em um planeta onde as pessoas não se comuniquem pelo ato da fala  - ou que não consigam ouvir o canto dos pássaros e as notas musicais -, deixaria-nos mais tristes e insensíveis.

                O som expressa sentimentos, produz ações e reações e, até mesmo, pode contar toda a história da humanidade sem expressar uma única palavra. Tomemos como exemplo o século XX: possível expressá-lo, desde os primórdios, passeando pela Belle Époque, com os sons que traduzem o surgimento do telefone, dos automóveis/aviões e o projetor do cinema em funcionamento. O período sangrento das guerras também pode ser facilmente expressado por sons: dos navios militares ao mar, da explosão de bombas em territórios inimigos, da derrubada de prédios e edificações nos países atingidos, das armas e gases tóxicos e até mesmo o som expelido pelos seres humanos mutilados, gemendo de dor e sangrando através de sussurros. Também o tempo compreendido como Guerra-Fria, com sons de tanques, submarinos e poderosos aviões, que caracterizaram a corrida armamentista promovida pelas duas grandes potências mundiais da época, que dividiram o planeta entre simpatizantes do capitalismo e do socialismo. O som do rádio, da televisão, das grandes fábricas e indústrias almejando cada vez mais o lucro desesperado e até mesmo a popularização da internet e os barulhinhos produzidos por aparelhos eletrônicos caracterizam uma época para o planeta.
                                                                    "Um tom pra gritar. Um tom pra calar. Um tom pra dizer. Um tom para a voz. Um tom para mim. Um tom pra você. Um tom para todos nós."Caetano Veloso - Um Tom                          


          E se falarmos em música, então, em canções, melodias, letras entoadas com desespero, com ódio ou que exprimem paz e amor, teremos um retrato ainda mais fiel de cada época da História do mundo e, porque não, do Brasil também. O iê iê iê, a bossa nova, o movimento tropicalista, a MPB, a jovem guarda e a inquietude dos expoentes do rock brasileiro na década de 80 traduzem, em melodias, tons, ritmos e frequências aquilo que de melhor e pior aconteceu no nosso país em cada época da história.
           Talvez hoje o sucesso de tantas bandas coloridas, também conhecidas por happy rock, que exprimem nada mais do que banalidades e problemas superficiais amorosos em suas letras e composições, sejam utilizadas futuramente para explicar o bom momento de ascensão social e aumento das liberdades individuais pelo qual o Brasil vem passando. Não faria sentido, hoje, exprimir letras de revolta contra os governantes, contra a opressão, o massacre, a prisão indiscriminada de cidadãos que apenas buscam sua liberdade de expressão, porque se compararmos o período atual da história com a época da ditadura, observaremos que, de fato, evoluímos e somos mais livres que outrora.
          Assim, não só a música, mas todos os sons que compõem a vida cotidiana da humanidade, por si só, conseguem exprimir muito do que foi e de como viveu o homem ao longo dos anos.

Leonardo Contin da Costa

Já imaginou?


       Vamos imaginar o mundo sem som. Tudo acontecendo e você só pode observar. O que você sentiria? Atrás dessa resposta, passamos por alunos da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) à procura da opinião popular:

Raquel Hancio, 25 anos: Seria horrível, é algo que não dá pra imaginar. Acredito que as dificuldades seriam enormes, principalmente na comunicação e locomoção.

Hugo Gomes, 33 anos: Sentiria falta de ouvir os gritos do estádio de futebol e não conseguiria berrar também. Pois gosto muito de ir ao estádio de futebol para xingar o juiz de futebol.

Camila Martins, 20 anos: Seria menos intensa, os sons fazem a vida pulsar mais forte. Todo ser humano deveria ter direito a todos os seus sentidos. Pois cada um deles é parte dos momentos e lembranças que possuímos.

Jonathan Thiago Legovski, 18 anos: Bem, inicialmente seria um choque, sem dúvidas! Fica meio complicado até de responder. Mas seria algo realmente triste, até o findar da situação e tudo assim! Me sentiria perdido!

Isabel Lima, 40 anos: Penso que me sentiria excluída da vida. Perder algo que se tem, em relação à saúde, é muito triste. Sinto admiração por aquelas pessoas que passaram por esta provação e superaram, se adaptaram.

Rudi Roberto dos Santos, 29 anos: Ficaria muito mau no momento, mais depois procuraria me adaptar, fazendo curso de sinais sei lá. Com certeza seria uma vida sem graça!

Helena Iuskow, 14 anos: Agonia, aflição, deve ser terrível. Não teria graça. Sem música, sem nada. Tem sons que você ouve que te deixam tão feliz.

       Podemos constatar que viver sem ouvir nenhum som seria uma situação atormentadora e que é difícil de imaginar algo parecido (como algumas pessoas relataram). Até os mais simples sons (uma pessoa andando pela calçada, pássaros cantando, o celular tocando, o grunir dos bate-papos...) fazem toda diferença em nossa vida. Pois cada um causa uma sensação diferente. Sensações essas que podem ser traduzidas em dores, sorrisos, lágrimas e expressões faciais.


Giovanna Dutra